Retomando o tema do mês de junho, como a maternidade impacta a carreira? Uma compromete a outra?
Não há uma resposta unânime e, ao vivenciar essa experiência, vejo um mundo de possibilidades e escolhas. E, sempre, cada escolha traz uma dor, um desafio e também uma vantagem.
Nos obriga a reconhecer e colocar em prática nossas prioridades e valores. É nessa hora que se torna mais claro o que realmente queremos para nós, o quanto estamos dispostas a abrir mão de uma coisa ou de outra, o que queremos ensinar aos nossos filhos por meio das nossas ações. Afinal, não vamos esquecer que somos o primeiro grande exemplo que a criança observa e aprende.
Falo aqui como mãe, mas essas reflexões servem a todos os responsáveis por um bebê ou criança.
Nesta edição, vamos ouvir duas mães, profissionais, executivas que admiro e que se esforçam para equilibrar todas as demandas de suas vidas. Entre o choro e o cansaço, elas também vivenciam grandes conquistas e alegrias.
Luisa Blandy é sócia da FESA Group, responsável pelo setor de Executive Search focada no mercado de Energia. É mãe do Alexandre de 6 anos e das gêmeas Livia e Leticia, de 4 anos.
Ela relata que a maternidade impacta sim na carreira, principalmente nos primeiros meses do bebê. Para ela, a fase inicial de adaptação e organização da vida com os filhos é a mais desafiadora, até conseguir encaixar uma nova rotina que inclua o retorno ao trabalho. Para ela, ter uma rede de apoio foi fundamental para conciliar a vida de mãe com a profissão.

Porém, Luisa vê isso como algo pontual e momentâneo. Uma vez todos ajustados à nova realidade, ela acredita que as mulheres podem ter uma carreira brilhante! E a maternidade não impede isso. Ou seja, é possível conciliar maternidade e trabalho.
Para isso funcionar de uma forma mais leve para todos, a flexibilidade de horário é algo crucial para ela. Inclusive por sua experiência profissional, Luisa percebe que essa flexibilidade tem sido cada vez mais aceita nas empresas.
Amém! Apesar de estarmos longe do ideal, ao menos podemos nos alegrar em saber que há uma tendência positiva, ainda que seja a longo prazo.
Também ouvimos outra mãe. A Tatiana Lebovits que é mãe do Bernardo, de 1 ano e trabalha na mesa de clientes institucionais na Tesouraria do Banco Bradesco.
Ela compartilhou que, de fato, a maternidade tem um impacto significativo na carreira, tanto por questões internas quanto externas. Na sua experiência, os desafios começaram desde o momento que engravidou: “fiquei com receio de falar que estava grávida e qual seria a reação da empresa considerando que ficaria afastada por um período. Mas acabou sendo super tranquilo e muito bem recebido”, conta Tatiana.

Ainda assim, durante a licença maternidade, além de lidar com todo o desafio de virar mãe, ela relata que sentiu medo de perder seu lugar no trabalho ao ser substituída por outra pessoa.
E não parou por aí. Chegada a hora de retornar, ao final da licença, a insegurança foi em relação ao seu filho – foram muitos pensamentos que tomaram conta da cabeça dela: “será que ele vai ficar bem? Vai chorar muito? Vai me rejeitar quando eu voltar? Ele está sendo bem cuidado?”
Uma vez que tudo isso “passou”, Tatiana conta que ainda enfrenta o dilema de equilibrar todos as suas responsabilidades, estar presente para seu filho e marido, produtiva no trabalho etc. Isso porque sente a liberdade, que é recente – historicamente falando – para mulheres e mães, em fazer uma escolha do que fazia sentido para si mesma. Tatiana conta que adora trabalhar, se sente realizada e por isso busca a melhor forma de atender as suas necessidades e de sua família.
Apesar disso, ela conta sobre as consequências em sentir essa liberdade de fazer escolhas profissionais que façam sentido: a culpa, o autojulgamento e a não aceitação de não estar a maior parte de seu dia dedicada – fisicamente – à maternidade. Isso porque acredita que é ensinado, de forma estrutural, que a mãe deve ser a maior figura referência em doação de tempo aos seus filhos. Optar pelo contrário traz esse e uma série de outros dilemas a enfrentar.
Falar sobre maternidade e carreira na nossa newsletter, tem o grande e único objetivo de abrir esse diálogo. Queremos debater, trazer, ouvir, falar, concordar e discordar. É fundamental criar espaços para conversar sobre essas questões complexas e necessárias e esse é apenas uma forma de fazer isso.
Quer contar a sua história? Escreve para mim, vou adorar ouvir e quem sabe, compartilhar aqui com outros leitores da Âme!
Rafaela Ferraz
fundadora da Âme